Rebelião recua duas tropas no leste do Congo…

18/11/08

A rebelião congolesa liderada por Laurent Nkunda anunciou nesta terça-feira um recuo unilateral de 40 km em duas frentes no leste da República Democrática do Congo e pediu à ONU que garanta a segurança das zonas de separação.

“Decidiu-se que o Congresso Nacional de Defesa do Povo (CNDP, rebelião) realizará um recuo unilateral de suas tropas em uma distância de 40 km tanto no eixo Kanyabayonga-Nyanzale como no eixo Kabasha-Kiwanja”, informou a rebelião em um comunicado.

A rebelião pediu ainda à Missão das Nações Unidas na RDC (Monuc) que “se encarregue da segurança nessas zonas de separação e garanta que nenhuma outra força as ocupe porque tal ocupação anularia imediatamente a decisão de retirada do CNDP”.

A Monuc informou, por sua parte, que nesta terça-feira explodiram combates entre o Exército congolês e membros da milícia pró-governamental mai-mai perto da cidade estratégica de Kanyabayonga, no leste do país.

No domingo (16), o líder da rebelião, Nkunda, havia anunciado que manteria o cessar-fogo declarado há três semanas e que permitiria a abertura de corredores humanitários para atender aos mais 250 mil deslocados pela violência em Kivu Norte desde agosto passado.

Nkunda iniciou a luta guerrilheira por acusar o governo do Congo de perseguir membros de sua etnia. Os confrontos, entanto, foram retomados em várias localidades do leste do país, onde se concentram as tropas rebeldes.

Troca de comando

Ontem, o governo do Congo nomeou um novo comandante para chefiar as forças armadas, depois da série de humilhantes derrotas sofridas ante os rebeldes no leste do país.

“Ante a necessidade e a urgência, foi designado chefe do estado maior o general Didier Etumba Longomba”, que substitui Dieudonné Kayembe no cargo.

A mudança no mais alto posto do comando militar foi decidida depois que o Exército do Congo sofresse várias derrotas nas últimas semanas na província de Kivu Norte ante as forças rebeldes de Laurent Nkunda que, desde o final de outubro, estão às portas de Goma, a capital provincial.

Os soldados do exército regular são responsabilizados por numerosos atos de pilhagem e violência na região.

Confrontos

Após quase dois meses de combates, o CNDP realizou uma ofensiva no final de outubro na qual ocupou a área de Rutshuru e chegou a 14 km de Goma, capital de Kivu Norte, onde, no dia 29 do último mês, Nkunda declarou um cessar-fogo, que vem sendo violado desde então.

Os rebeldes tutsis congoleses ocuparam ontem, em Kivu Norte, a cidade de Rwindi, informou a Monuc, além de terem encurralado as tropas governamentais às margens do lago Edouard, obrigando-as a fugir, informou o porta-voz do CNDP, Bertrand Bisimwa.

Nkunda insistiu em manter conversas diretas com o governo de Kinshasa, algo que o presidente da RDC, Joseph Kabila, se nega apesar dos requerimentos da ONU.

Desde a retomada dos conflitos, em agosto, cerca de 250 mil pessoas fugiram. Antes, só em Kivu Norte, já havia cerca de 1 milhão de deslocados. Em toda a RDC, aproximadamente 5,5 milhões de pessoas morreram em conseqüência da violência que dura ao menos desde 1998.

Situação humanitária

As agências humanitárias das Nações Unidas denunciaram nesta terça-feira a deterioração das condições de sobrevivência na RDC. “O que vemos é uma deterioração da situação, não uma melhora”, disse em coletiva de imprensa a porta-voz do Escritório de Coordenação de Assuntos Humanitários das Nações Unidas (Ocha), Elisabeth Byrs.

A porta-voz afirmou que os casos de diarréia entre os deslocados estão se estendendo porque as condições de higiene são cada vez mais precárias.

Já a porta-voz do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), Veronique Taveau, pediu acesso a regiões às quais ainda não podem entrar para poder continuar a vacinação contra o sarampo, realizada pela entidade.

Até o momento, o Unicef contabilizou 127 casos de cólera e começa a detectar um aumento dos sinais de desnutrição entre as crianças.

Taveau também ressaltou que 150 mil crianças não estão na escola –motivo pelo qual o Unicef começou a distribuição de kits escolares.

Já o Programa Mundial de Alimentos (PAM) explicou que está distribuindo comida a cerca de 100 mil pessoas, com a escolta dos soldados de paz da ONU, mas que sua principal preocupação é o péssimo estado das estradas, o que dificulta a distribuição.

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