Líderes africanos se dispõem a enviar reforço para o Congo…

Líderes africanos disseram que estão dispostos a enviar, se necessário, tropas de manutenção de paz à República Democrática do Congo (RDC). A Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), que reúne 15 países do sul da África, terminou neste domingo (9) uma reunião de cúpula para tentar encontrar uma solução para o país. A população está ameaçada por causa dos conflitos entre rebeldes da etnia tutsi contra forças do governo.

“A SADC, da qual faz parte a RDC, não ficará de braços cruzados ante atos de destruição e violência cometidos contra qualquer grupo, seja qual for. Se necessário, a SADC enviará tropas de manutenção de paz a Kivu Norte (leste da RDC)”, afirmou o secretário-executivo do bloco regional, Tomaz Salomão, em comunicado.

Finbarr O’Reilly/Reuters
Refugiados cozinham na rua em Kibati, perto de Goma; mais de 1 milhão fugiu dos conflitos
Refugiados cozinham na rua em Kibati, perto de Goma; mais de 1 milhão fugiu dos conflitos

A afirmação do bloco ocorreu no mesmo dia em que o Exército congolês e insurgentes do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), liderados pelo general Laurent Nkunda, voltaram a se enfrentar violentamente. Os confrontos ocorreram em Ngungu, localidade do leste da RDC situada no limite entre as Províncias do Kivu do Norte e Kivu do Sul, informaram fontes da ONU.

Ngungu fica 60 km a oeste de Goma, a capital da Província de Kivu do Norte, onde se concentram as tropas de Nkunda. Milhares de pessoas já fugiram do local temendo a intensificação dos confrontos, apesar de um acordo de cessar-fogo acertado entre os rebeldes e o governo.

O porta-voz da rebelião, Bertrand Bisimwa, afirmou em Kinshasa que não estava sabendo destes novos enfrentamentos em Ngungu. Os combates deste domingo são os primeiros desde o apelo de cessar-fogo imediato lançado sexta-feira (7) durante a cúpula internacional de Nairóbi, no Quênia, sobre o conflito no leste da RDC.

O general Nkunda ameaça derrubar o governo da República Democrática do Congo em Kinshasa, 1.580 km a oeste de Goma, a menos que o presidente Joseph Kabila concorde com negociações diretas.

Arte Folha Online

Reforço

Com a retomada da violência, os ministros de Relações Exteriores da UE (União Européia) fizeram um apelo nesta segunda-feira para que as Nações Unidas reforcem a missão de paz que atua no país. Além de anunciarem que irão apoiar a ONU, defenderam uma solução política como única maneira de trazer estabilidade para o país.

O departamento de Operações de Paz da ONU pediu na semana passada o envio de 3.000 soldados adicionais para o Congo, que já conta de 17 mil militares destacados em missão de paz, a maior em operação no mundo.

Dos cerca de 6 milhões de habitantes da Província de Kivu do Norte, onde se concentram os confrontos, calcula-se que mais de 1 milhão de pessoas tiveram que deixar suas casas por causa do conflito. Os ministros da UE condenaram as violações “inaceitáveis” aos direitos humanos que vêm ocorrendo no país, entre elas os abusos sexuais e o recrutamento de crianças para o combate.

O chanceler de Luxemburgo, Jean Asselborn, disse que existe a possibilidade de a UE enviar tropas suplementares à RDC, especialmente para cuidar de tarefas logísticas e humanitárias. Disse, no entanto, que seria melhor uma ordem do Conselho de Segurança da ONU para reforçar o papel da missão de paz no país.

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