Cultura: A poligamia na África…

Em outros lugares do mundo, a poligamia existe sem estar necessariamente relacionada a questões religiosas. Em sociedades mais tradicionais da África Subsaariana, por exemplo, a prática é comum – segundo o relatório Social and ethical aspects of assisted conception in anglophone sub- Saharan Africa, da Organização Mundial de Saúde . O estudo da OMS afirma que, mais do que ser aceita, a poligamia é até mesmo incentivada entre os homens nesses lugares. E, em muitas regiões africanas, a religião predominante é o islamismo  o que promove uma soma de questões culturais e religiosas, fortalecendo ainda mais a aceitação da prática.

 

 

Um dos fatores que serve como incentivo à poligamia na África é a valorização enorme da maternidade nesse continente. “Crianças são tão valorizadas na África que a procriação é considerada a maior razão para o casamento e a principal causa, se não a justificativa, para a poligamia e outras formas de casamento que poderiam ser consideradas mais ou menos estranhas pela perspectiva de outras culturas”, diz um outro relatório da OMS para a África, intitulado “ART and African sociocultural practices: worldview, belief and value systems with particular reference to francophone África”. Essa atenção dada à maternidade na África chega a ser incoerente com outras ocorrências observadas no continente. Por exemplo, a prática da mutilação genital costuma causar sérios danos à saúde sexual das mulheres, dificultando as relações sexuais, o parto, ou até mesmo tornando-as estéreis. Além disso, a mortalidade infantil é altíssima no continente, que apresenta também elevadas estatísticas de crianças que se tornaram órfãs devido ao fato de seus pais serem vítimas da Aids.

 

A OMS aponta, ainda, conseqüências nada positivas da poligamia na África. Cria-se uma competição entre as diversas esposas, que lutam por direitos relacionados à gravidez, ao parto e à maternidade, e são submetidas à pressão de dar à luz herdeiros do sexo masculino – já que estão inseridas numa sociedade patriarcal. Um outro fator associado à prática da poligamia é o crescimento do número de filhos por pai, e da média de tamanho das famílias.

 

Além disso, o fato de os homens terem várias mulheres na África é apontado em certas pesquisas como um dos fatores que contribuem para a disseminação do vírus da Aids no continente, cujos países já são os que mais concentram soropositivos em todo o planeta – a previsão é de que haja seis milhões de contaminados em toda a África até 2010, segundo a ONG YFC, que tem vários programas concentrados em resolver questões exclusivamente na África.

 

É fato que, mesmo com a possibilidade de ter várias esposas, os homens não deixam de ter relações extraconjugais – o que até contraria as intenções que o islamismo afirma ter ao permitir a poligamia – e há muita desinformação a respeito do uso de preservativos, somada à relutância em utilizá-los, mesmo quando se sabe da sua importância. Segundo estatísticas fornecidas pela YFC, no ano de 2000, 45% dos jovens africanos tornaram-se sexualmente ativos entre os 16 e os 18 anos, quase 80% deles eram solteiros e 25% afirmaram que sua primeira experiência sexual foi involuntária.

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