Apesar da trégua, consultas diplomáticas continuam no Congo…

21/11/08

A situação no leste da República Democrática do Congo (RDC) é de relativa tranqüilidade, enquanto se espera o reforço da Missão da Organização das Nações Unidas (ONU) no país, a Monuc, aprovada pelo Conselho de Segurança, e o avanço das consultas para solucionar o conflito pela via diplomática.

Entenda o conflito no Congo

As autoridades de Kinshasa consentiram com a decisão da ONU de enviar outros 3.000 capacetes azuis para reforçar o contingente de 17 mil homens da Monuc, mas exigiram que a missão de paz internacional tenha “um mandato mais forte”.

Arte/Folha Online
Mapa do Congo com paises vizinhos

“Era uma decisão que todos queríamos, mas é necessário, além disso, revisar o mandato da Monuc para que se adapte melhor às circunstâncias do terreno”, disse à imprensa em Kinshasa o ministro de Comunicação congolês, Lambert Mende.

O maior contingente militar nunca antes desdobrado pela ONU é uma força de interposição entre as facções que se enfrentam há mais de uma década na RDC, mas sua principal tarefa é a de proteger os civis.

Os grupos humanitários que trabalham no leste do país –onde o rebelde Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP) e o Exército, apoiado por milícias tribais, estão em combates desde agosto– consideram que a atuação da Monuc é “insuficiente”.

Críticas

“A Monuc não faz quase nada, são meros observadores e contam com meios técnicos e humanos muito pobres”, disse hoje à agência Efe em Goma, a capital da Província de Kivu Norte, Juanjo Aguado, um católico espanhol que trabalha em um projeto educacional do Serviço Jesuíta para Refugiados (JRS).

Para ele, “a única coisa” que os militares da Monuc fazem bem “é o controle da cidade de Goma, porque os soldados que estão no campo, completamente isolados, são indianos e paquistaneses que desconhecem o terreno, a situação e, também, o idioma”.

“Sou defensor das forças de paz, mas não assim, porque quando a situação esquenta eles põem uma tampa, mas não conseguem apagar o fogo”, concluiu o jesuíta espanhol.

Da mesma opinião que Aguado, o porta-voz da ONG Intermón Oxfam para a RDC, José Luis Barahona, afirma em uma nota enviada hoje à Efe que a decisão de reforçar a Monuc com outros 3.000 soldados e policiais “não basta para solucionar a crise no terreno e não deve encobrir a urgente necessidade de intervir mais rapidamente”.

“Há vidas em perigo e milhares de pessoas estão sofrendo devido aos combates e à insegurança crescentes”, diz Barahona, que pede à União Européia (UE) que “responda rapidamente com seu contingente especial em estado de alerta, criado exatamente para responder a este tipo de crise”.

Diplomacia

Enquanto isso, o presidente da RDC, Joseph Kabila, viajou hoje a Luanda, em Angola, um de seus antigos aliados na guerra de 1998 a 2003 no leste da RDC, conflito que envolveu outros cinco países da África meridional e que teve como protagonistas os mesmos grupos rebeldes e militantes que se enfrentam atualmente, embora com outros nomes.

Em outubro, Kabila solicitou a assistência militar de Angola e o CNDP denunciou a presença de soldados, aparentemente, angolanos combatendo lado a lado com as tropas governamentais em Kivu Norte.

No entanto, Angola negou as acusações dos rebeldes e afirma que somente intervirá no conflito na RDC se receber um mandato da Comunidade para o Desenvolvimento da África Meridional (SADC, na sigla em inglês), bloco econômico que reúne 15 países.

Laurent Nkunda, que lidera o CNDP, advertiu que um desdobramento de tropas angolanas no leste da RDC poderia “incendiar a região dos Grandes Lagos”.

O CNDP, que na terça-feira à noite deu início à sua anunciada retirada das frentes de batalha ao norte de Goma a fim de “dar uma nova oportunidade à paz”, agora espera que comecem as negociações para um armistício sob a mediação do enviado especial da ONU à RDC, o ex-presidente nigeriano Olusegun Obasanjo.

Por enquanto, o governo se negou a dialogar diretamente com o CNDP, pois afirma que isso seria privilegiar um só grupo em detrimento das demais facções no leste congolês, mas sua falta de sucesso no terreno militar não parece lhe restar outra opção além de se sentar à mesa de negociações com Nkunda.

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