“A nova vida do Evangelho deve chegar à África por obra dos próprios africanos. A árvore do Evangelho não pode nem deve ser exportada e transplantada na África. Deve brotar ali com as peculiaridades, riquezas e falhas dessa parcela da humanidade”. 

 

A “África infeliz” continua a ser infeliz em muitos sentidos. Mas é também a África da vida, da solidariedade e da esperança. Chamada a repetir o gesto do bom samaritano da parábola de Jesus, a Igreja africana busca o seu próprio rosto e tem muito a oferecer e ensinar aos cristãos de outras partes do mundo. 

 

Um homem descia de Jerusalém para Jericó. Ele caiu nas mãos de assaltantes que, depois de tê-lo roubado e espancado, o abandonaram quase morto à beira do caminho“(Lc 10,30).

 

Para muita gente, essa é a melhor imagem da África contemporânea. Quem nunca ouviu falar das enormes riquezas humanas e materiais do continente, e também da voracidade dos que a invadiram, dominaram e massacraram nos últimos séculos? 

 

 

Num mapa-múndi feito recentemente, os países são apresentados de acordo com a sua importância em termos de indústria e comércio, exportação e importação de bens. Nesse mapa, os Estados Unidos, a Europa e o Japão dominam a maior parte do espaço, enquanto a África nem sequer aparece. Só existe mar onde deveria estar um continente inteiro.  

 

 

Como no caso do seu maior deserto, o Saara, que um tempo era área verde, a África foi devastada e espoliada. Como o homem que ia de Jerusalém para Jericó, foi assaltada e abandonada às margens do mundo, ferida e prestes a morrer de vez. 

 

 

Os que contam nesse mundo nem se dignam a olhar para ela. O continente geme à beira do caminho, à espera de um bom samaritano.

 

AÇÕES DE PAZ E JUSTIÇA  

 

Essa vocação de solidariedade tem sido assumida por muitos setores da Igreja na África. Um esforço que é também de diversas outras Igrejas e forças africanas, no qual se mostra o rosto escondido de um continente com profundo amor pela vida. Num mapa-múndi diferente, em que os países fossem apresentados pelo tamanho proporcional às ações de solidariedade neles existentes, as nações africanas ocupariam certamente um espaço privilegiado. 

 

 

Com efeito, a Igreja na África tem carregado sobre si o peso da instrução, do atendimento sanitário e da preocupação com os mais pobres, os milhões de refugiados de guerra ou as vítimas da miséria nas grandes cidades. Pode ser que use pouco a palavra “libertação” em seus pronunciamentos oficiais e nas obras da maioria dos teólogos. Mas seria injusto dizer que os cristãos africanos não estão comprometidos com a justiça e a paz. 

 

 

Esse compromisso envolve igualmente o trabalho de conscientização política do povo e os esforços de mediação na transição para regimes mais democráticos. Vai da denúncia do tráfico de armas que alimenta guerras infindáveis à preocupação com o futuro dos jovens em Estados falidos econômica e politicamente. Vai da tomada de posição contra a dívida externa e os projetos de reajuste estrutural às freqüentes denúncias de corrupção de muitos governantes. 

 

 

São numerosos os testemunhos de compromisso libertador e de uma esperança viva. 

 

 

Não são palavras vazias, pois: 

 

 

“Neste momento em que tantos ódios fratricidas – provocados por interesses políticos – dilaceram os nossos povos. No momento em que o peso da dívida internacional ou da desvalorização da moeda os oprimem, nós, bispos da África, queremos pronunciar uma palavra de esperança e de conforto para ti, Família de Deus que estás na África. Para ti, Família de Deus espalhada pelo mundo: Cristo, nossa esperança, está vivo, e nós viveremos!”.

 

Fonte: Livro – “Sem Fronteiras”

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