O Suporte aos Missionários…

 “Não ligarás a boca ao boi que debulha. E Digno é o obreiro do seu salário.” [1 Timóteo 5:18]

A proibição de atar a boca do boi que trabalha em um moinho é mencionada pela primeira vez em Deuteronômio 25:4 e deixa claro que o animal precisa de sustento para realizar o trabalho pesado, de modo que deve poder comer livremente daquilo que seu trabalho produz.

No Novo Testamento, esse mesmo princípio foi usado pelo apóstolo Paulo para ensinar que um ministro do evangelho tem o direito de esperar receber alguma compensação daqueles que se beneficiam de seu ministério, direta ou indiretamente. Em toda a Época da Igreja, os pregadores / evangelistas / missionários têm sido sustentados pelas ofertas do povo de Deus. Mas nestes últimos dias, está ocorrendo algo que é escandaloso e nunca deveria ser tolerado por aqueles que usam o nome de Jesus Cristo.

Na semana que passou, um piedoso missionário sentou-se à mesa da minha cozinha e começou a chorar por causa do modo como está sendo tratado com relação ao seu suporte financeiro. Após trabalhar durante muitos anos naquele que é, sem dúvida, o campo de serviço mais difícil para um missionário – levar o Evangelho aos judeus – ele está de coração partido porque as igrejas estão cancelando suas ofertas de suporte. E, quando as igrejas se dão ao trabalho de contactá-lo e lhe dar alguma justificativa (muitas não informam nada e simplemente cancelam a oferta sem lhe dar qualquer explicação – algo que é totalmente repreensível) a desculpa mais comum é que “ele não está conseguindo obter um número suficiente de novos convertidos”. Pessoal – esse tipo de coisa faz o meu sangue ferver! Aparentemente, essas igrejas não estão familiarizadas com o fato, ou então esqueceram, que Deus temporariamente cegou Israel para a mensagem do Evangelho (João 12:40, Romanos 11:7, 2 Coríntios 3:14, etc.) e conversões genuínas entre os judeus continuam a serem poucas! Mas se somente uma alma preciosa se converter a Jesus Cristo como resultado do ministério desse homem, será se isso não compensa todo centavo que lhe foi enviado como oferta de suporte?

Precisamos todos compreender que Deus chama seus ministros para uma vida de serviço fiel – não de resultados tangíveis. William Carey, o primeiro inglês dos tempos modernos a servir como missionário, trabalhou na Índia durante sete anos antes de tomar conhecimento de um primeiro convertido. Mas somente Deus sabe quantos mais foram salvos sem que Carey tivesse tomado conhecimento. E, desde aquele tempo, muitos outros homens deixaram suas casas confortáveis e bons empregos para partirem como missionários, somente para encontrarem frustração similar por causa da falta de “sucesso”. Mas quando a mensagem do Evangelho é proclamada por indivíduos que deixam sua luz brilhar diante dos homens (Mateus 5:16), os resultados são garantidos pelo próprio Deus!:

“Porque, assim como desce a chuva e a neve dos céus, e para lá não tornam, mas regam a terra, e a fazem produzir, e brotar, e dar semente ao semeador, e pão ao que come, assim será a minha palavra, que sair da minha boca; ela não voltará para mim vazia, antes fará o que me apraz, e prosperará naquilo para que a enviei.” [Isaías 55:10-11; ênfase adicionada]

Portanto, se as igrejas ou indivíduos concordam em oferecer suporte a um missionário – possivelmente por que o Espírito Santo os motivou – isso na realidade é um contrato que, uma vez estabelecido, somente deve ser rompido em circunstâncias graves, tais como: (1) Pecado grosseiro ou desvio doutrinário por parte do missionário, ou (2) incapacidade financeira da igreja patrocinadora de manter o suporte. Quando decisões arbitrárias são feitas de descontinuar o suporte para que “um efeito maior” possa ser obtido por outro missionário “bem-sucedido”, grande dano é feito aos homens de Deus e às suas famílias que estão lutando para superar os obstáculos e permanecer fiéis ao seu chamado. E esse é o caso com o meu amigo e a mulher dele. Ambos estão enfrentando problemas físicos sérios e despesas médicas elevadas (eles não têm plano de saúde – uma realidade desagradável para a maioria dos missionários), sem contar os gastos diários com combustível e outras despesas associadas com os ministérios itinerantes. Mas, a despeito de todas as dificuldades de partir o coração, eles permanecem fiéis, proclamando o Evangelho para judeus e gentios igualmente.

Você gostaria de ter seu pagamento cancelado sem qualquer notificação prévia, e sem qualquer razão espiritualmente justificável? Acredito que não! Muito provavelmente, você se sentiria muito ferido e ofendido – exatamente como muitos missionários em todo o mundo se sentem hoje. “Meus irmãos, não convém que isto se faça assim.” [Tiago 3:10]

Eu já disse isso antes em outros artigos e, se Deus quiser, continuarei a enfatizar o ponto que “resultados” não são um termômetro apropriado para um ministério. No dia de Pentecostes, estaríamos justificados a acreditar que a vasta maioria – talvez até 100% – das três mil profissões de fé foram o resultado do Espírito Santo e, portanto, genuínas. Mas a prudência deve considerar que Satanás conseguiu semear um ou dois grãos de joio entre eles! E, à medida que a Época da Igreja avançou, falsas profissões de fé só aumentaram – até ao ponto em que a apostasia que está ocorrendo atualmente indica que a maioria não é genuína.

Lembre-se que o Senhor fez a pergunta retórica: “Quando porém vier o Filho do homem, porventura achará fé na terra?” [Lucas 18:8] Assim, apenas pelo fato de alguém conseguir encher os bancos da igreja, isso não significa que todas aqueles indivíduos são verdadeiramente convertidos a Jesus Cristo.

Quando chegarmos ao céu e estivermos diante do Tribunal de Cristo, tenho a suspeita que veremos muitos ministros do Evangelho – que foram considerados um fracasso por seus pares – receberem um galardão maior do que muitos daqueles que foram vistos como excelentes. Exatamente como a totalidade da oferta da viúva pobre de Marcos 12:41-44 definiu o galardão dela, o seguinte princípio é aplicável:

“Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá.” [Lucas 12:48; ênfase adicionada]

A pessoa que recebeu uma educação deficiente e que é pouco articulada, mas que serve a Deus e colocou seu coração na proclamação da verdade do Evangelho pode esperar receber um grande galardão, mesmo que seu rebanho seja pequeno em número. Enquanto isso, o erudito bíblico talentoso e bem-treinado em seminário, com um título de doutorado, que dá menos do que o melhor de si, ou usa métodos errados para obter “grandes resultados” irá, sem dúvidas, sofrer a perda de galardões. Portanto, todos nós precisamos compreender que o padrão de Deus de avaliação para Seus servos é totalmente diferente do que é aplicado pelos homens falíveis.

O primeiro texto que escrevi na seção Artigos Pastorais foi P112, “O Segredo Melhor Guardado da Bíblia” e trata do assunto da mordomia cristã. Naquele artigo, tentei enfatizar o princípio que Deus concede Suas bênçãos em proporção à nossa fidelidade em dar a Ele:

“Dai, e ser-vos-á dado; boa medida, recalcada, sacudida e transbordando, vos deitarão no vosso regaço; porque com a mesma medida com que medirdes também vos medirão de novo.” [Lucas 6:38; ênfase adicionada]

Mas, ao mesmo tempo, tentei também refutar a atual crença falaciosa e dominante que se dermos, Deus nos fará enriquecer! Isto, meus amigos, simplesmente não tem base nas Escrituras. Pastores inescrupulosos estão enganando milhões de incautos usando promessas do Antigo Testamento tiradas do contexto. Enquanto os israelistas estavam debaixo da servidão da Lei, Deus lhes disse que os abençoaria materialmente se eles fossem obedientes. Mas essas promessas não são reiteradas no Novo Testamento para a igreja. Na verdade, a promessa é que passaremos por provações, tribulações e perseguição por causa da fidelidade no serviço – não que acumularemos riquezas materiais! Destarte, se você caiu vítima desse ensino e está confuso por que não está recebendo de volta tanto quanto o pastor prometeu, vá até ele e pergunte o motivo. Posso quase garantir que ele acusará você mesmo por sua falta de fé. Mas as promessas do Novo Testamento foram condicionadas à obediência – não à fé!

Portanto, posso sugerir algo a você que irá, sem falta, resultar em tremendas bênçãos das mãos de Deus? Se você der liberalmente de todo o coração para a causa de Cristo sem pensar em receber de volta (tendo em mente que Deus conhece seus motivos para dar), posso testificar o fato que Ele o abençoará ricamente. Todavia, compreenda que as bênçãos não serão necessariamente monetárias em sua natureza. Ter nossas necessidades atendidas é uma grande bênção mesmo que muitos de nossos desejos permaneçam sem serem satisfeitos. Ser saudável e feliz, apesar da presença de circunstâncias difíceis é outra. Uma boa noite de sono, filhos obedientes, um emprego estável, um teto acima de nossas cabeças e ter o suficiente para a alimentação e o vestuário são bênçãos que a maioria das pessoas no mundo desejariam ter a cada dia. Sim, bênçãos tremendas vêm em todas as formas e tamanhos. Apenas seja agradecido por recebê-las e que Deus julgue apropriado que elas continuem para você.

Como devemos dar verdadeiramente para a obra do Senhor? Enriquecer os pastores e ajudar a pagar as prestações do financiamento bancário para a reforma e construção de templos luxuosos não são necessariamente as formas de fazer isso! O dinheiro gasto em programas sociais e em defesa do meio-ambiente para tentar “tornar o mundo um melhor lugar para todos” é também um desperdício, pois este mundo caminha a passos largos para a Tribulação e nenhuma quantidade de ativismo para fazer o bem servirá para impedir. Todo esse raciocínio é contrário aos ensinos de Jesus Cristo e a razão por que as pessoas não podem ver isso é parte do “mistério da injustiça que já opera” [2 Tessalonicenses 2:7]

A primeira coisa que todos nós deveríamos fazer é entender claramente o que de fato constitui um serviço de adoração. A noção que nos reunimos de modo a receber uma bênção com a pregação e o ensino da Palavra de Deus é colocar o carro na frente dos bois. Antes de tudo, Deus deseja que reconheçamos Sua dignidade intrínseca dando sacrificialmente de nós mesmos – nosso tempo, talentos e nossos bens – para Sua obra na Terra. Receber uma bênção por ter ido à igreja é de uma importância relativamente pequena, em comparação. Levar a mensagem do evangelho ao mundo e fazer discípulos é a comissão dada à igreja, não colocar a ênfase em nós mesmos constantemente e procurar sempre receber.

“Tenho-vos mostrado em tudo que, trabalhando assim, é necessário auxiliar os enfermos, e recordar as palavras do Senhor Jesus, que disse: Mais bem-aventurada coisa é dar do que receber.” [Atos 20:35; ênfase adicionada]

Portanto, com ardente instância, recomendo que cada cristão individual “ponha de parte o que puder ajuntar, conforme a sua prosperidade” [1 Coríntios 16:2] e dê por meio de sua igreja local e de forma regular. E, se você não tem confiança que os líderes da sua igreja usam o dinheiro de uma forma responsável e honesta diante de Deus, então precisa procurar outra igreja para freqüentar! O dízimo não é requerido dos cristãos no Novo Testamento, mas devemos amar o Senhor e não nos limitarmos a dar apenas 10% de nossa renda. Observe que o verso citado anteriormente diz ‘… conforme a sua prosperidade”. Em outras palavras, o princípio do Novo Testamento é dar em proporção àquilo que Deus provê para nós. Ao longo dos anos, minha mulher e eu aprendemos que quanto mais tentamos dar, mais conseguimos dar. Assim, além de dar o mínimo de 10% de nossa renda bruta (antes dos impostos – porque a quantia tributada é parte daquilo que o Senhor permitiu que recebêssemos) por meio da igreja, atualmente enviamos suporte mensal para três missionários diferentes. Nos quarenta anos em que temos praticado isso, nunca ficamos sem fazer uma refeição ou em sérias dificuldades financeiras – incluindo os oito anos em que, pela fé, colocamos nossas duas filhas na faculdade – confiando que Deus proveria os recursos a cada mês. Portanto, a Deus seja a glória, pois Ele tem feito maravilhas!

Destarte, eu o exorto a não mais enganar a si mesmo e deixar de receber grandes bênçãos. Dê liberalmente e com amor no coração, e confie que Deus fará os frutos aparecerem.

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